quinta-feira, 18 de Setembro de 2014

"Manicela" à solta na Sicília

Viajar com crianças é um desafio, mas o Simão faz parte da nossa bagagem desde que existe. Nunca lhe negaríamos a oportunidade de abrir os olhos para o mundo. Rapidamente chegámos à conclusão de que viajar com ele pode não ser complicado, afinal há crianças em todo lado!
Sempre foi muito fácil. Enquanto mamava as refeições dele estava permanentemente prontas e aquecidas. Quando deixou de o fazer, começámos a comprar boiões de sopa no supermercado e fruta fresca. Juntando água a ferver aos boiões, eles ficam com uma textura relativamente agradável. Come desde muito cedo fruta com casca e o que ele gosta de comer uns bagos de uva dentro do copo de lavar os dentes!
No entanto, esta última viagem trouxe-nos uma novidade com a qual não contávamos: varicela ("manicela", segundo o próprio). Ao terceiro dia de viagem acordou, olhou-se ao espelho e disse: "Oh não, hoje não estou lindo!"; as borbulhas não engavam. Uma visita ao médico confirmou. Estávamos em Siracusa, felizmente o lado oriental da ilha é definitivamente mais apelativo.
Ortígia é uma pequena ilha, mas curiosamente é o centro de Siracusa, a cidade mais próxima. Tem as lojas mais giras, os melhores sítios onde comer e é lá que mora o mercado da cidade. Lembro-me de um noite quente em que jantámos num restaurante, cuja sala de refeições era um terraço. Esse terraço era enorme repleto de laranjeiras. Era noite e fazia muito calor. Enquanto comíamos pizza e ouvíamos os pedidos num italiano corrido, quase incompreensível, choviam flores de jasmim dentro dos nossos pratos.
Por lá teríamos que continuar até nos deixarem regressar.







quarta-feira, 10 de Setembro de 2014

Sicília (parte I)

Vou contar um pouco da nossa recente viagem, mas terá que ser por partes!

A escolha da Sicília como destino de viagem foi mais ou menos consensual. Cá em casa há sempre um que puxa para a civilização e outro que puxa para a aventura (eu!).

Naquela zona de Itália atraíam-me as heranças históricas de tantas civilizações que por lá passaram, o dolce far niente muito mais notório do que em qualquer outra região italiana, a temperatura da água e a comida, por ser resultado de tantas confluências.

O calor intenso e seco que senti ao sair pela porta do avião, deixou-me incapaz de apreciar aquela terra cor de terra e de ver qualquer tipo de beleza na paisagem quase desértica.

Daquele dia guardo a imagem aterradora do único pôr-do-sol sobre o mar que vi na Sicília (assisti a todos os outros no outro lado da ilha), o sabor de uma gelado gigante habilmente acomodado num brioche igualmente grande e as memórias de uma pasta con le sarde, que não esquecerei tão cedo.

Em Palermo percorremos o mercado, enquanto os meus olhos saltitavam de banca em banca, dos legumes, para as frutas, dos peixes para as ervas... Aquilo era a verdadeira Sicília. Teria sido óptimo ter um local onde pudesse confeccionar todos os ingredientes que por ali encontrava, muitos deles completamente desconhecidos. Comprámos figos-da-índia e só depois percebemos que essa será por ventura a fruta mais vulgar por aquelas paragens.

A primeira ida à praia não deixou boas recordações. Debaixo de um sol abrasador, teria sabido bem que a água fosse fresca, mas não, estava quase tão quente como o ar. O areal era surpreendemente sujo e muito mais pequeno do que imaginara. Talvez as outras fossem diferentes, pensei eu!

Olhei para a gradiosidade do Vale dos Templos com a visão deturpada pela imagem de Agrigento. Por certo, quando os gregos ali estiveram, não existia uma cidade tão pouco atraente nas proximidades. Abstraindo-me disso, fico na dúvida se é o misticismo do vale que torna os templos tão fantásticos, ou se são estes que tornam o vale tão místico.

Não sairíamos da Sicília tão cedo, mas não sabíamos disso.











quinta-feira, 4 de Setembro de 2014

O menino dos meus sonhos

Não sabia desta aguarela há muitos anos, já mal me lembrava dela e de tantas outras que pintava durante as férias da faculdade. Pintava por tudo e por nada, mas quase sempre miúdos e brincadeiras de miúdos.

Hoje o Nuno encontrou a aguarela do menino e perguntou-me porque não a púnhamos no quarto do Simão.
Sem pensar duas vezes, peguei na aguarela e coloquei-a na parede enquanto o Simão dormia a sesta. Reparei então na data, pintei-a há precisamente quinze anos e dois dias, reparei também que o menino que olha para a água com o barco à vela na mão, é igual ao Simão, que coincidência! Afinal este menino que hoje dorme a sesta num dos quartos da minha casa e que é meu filho, já morava nos meus sonhos há muito tempo.

Subitamente deu-me uma vontade imensa de voltar a pintar.




carminhoesimao@gmail.com

quinta-feira, 14 de Agosto de 2014

segunda-feira, 11 de Agosto de 2014

Do jardim para o bolo

Quero aqui deixar duas promessas:
1- Voltar a escrever aqui com maior frequência;
2 - Trazer para aqui ideias fáceis e úteis.

O aniversário do meu pai aproximava-se e para bolo de aniversário tínhamos um simplório, porém não menos delicioso, pão-de-ló. Cobrimos esse simples e delicioso pão-de-ló com ovos moles e polvilhámo-lo com amêndoas picadas. Ainda assim não era bem um bolo de aniversário!
Dei um saltinho ao jardim e trouxe um ramo de alfazema apanhada com todo o amor por umas mãos pequeninas, circundei o bolo com dois ramos de hera e acrescentei uma única rosa branca. Ah, já se aproximava mais da imagem de um bolo de aniversário! Uma bandeirola em que escrevi "Parabéns" colada sobre dois pauzinhos de espetadas foi o suficiente para ninguém tivesse dúvidas.
Quem diz que as melhores coisas da vida são as mais simples, não está enganado.


quarta-feira, 30 de Julho de 2014

MÃE

Um dia a Carminho vai olhar para o quadro que tem na parede do quarto e vai saber que Ela não foi uma Mãe como as outras.



terça-feira, 29 de Julho de 2014

Memórias de um tempo recente

Os dias de praia que passámos no sítio do costume já vão longe, mas a tecnologia ajuda-me a reavivar as memórias que eles me deixaram. Olho para as fotografias e quase consigo sentir a areia nas mãos e o sal na boca.