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segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Do Porto e do melhor que está para vir

No final de cada ano nunca faço balanços. Bom e mau há todos os anos. Mais vale guardar o bom junto do coração, arrumar o resto numa gaveta bem fechada e atirar a chave fora. Acredito sempre que o melhor está para vir! Esta convicção não me tem deixado ficar mal.
Encerrei o ano com uma visita ao Porto, cidade que não visitava há algum tempo. Valeu a pena ver como está vibrante e renovada, tal como desejo que o novo ano seja.
Feliz ano novo!

Loja de sementes na Rua Sá da Bandeira


Mercado do Bolhão

Armazém dos Linhos - Uma loja a não perder!


"Sou de todas as cores
De lã, seda e algodão
Quem não me perde
Anda sempre na perfeição"
Adélia Carvalho

Cais da Ribeira



Serralves, sempre Serralves

Foz






segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

O que há para comprar em Estrasburgo

É rara a viagem que faço sem um "estudo" prévio das lojas que há no destino para onde vou. «Coisas de mulher», dizem os homens. Que seja! Desta vez descuidei-me no "estudo", fui às cegas. Como é possível?
Não se pode dizer que Estrasburgo tenha muito por onde escolher, mas fiquei derretida com Le Petit Souk. O site revela um pouco daquele antro de perdição e felizmente os portes de envio dissuadem as encomendas compulsivas!


Uma outra loja imperdível para viciadas em costura como eu, é a La Droguerie. Conhecia-a das páginas da Marie Claire Idées, mas ao vivo e a cores o fascínio assume outras proporções.


Resisti estoicamente às tentações e saí de lá com umas modestas fitas e debruns. Por esta altura as fitas já estão transformadas em vistosos laçarotes no cabelo da Carminho. Os debruns, por sua vez, serviram-me para fazer fios e pulseiras.

  


A boa notícia é que qualquer uma das duas lojas existe noutras cidades francesas além de Estrasburgo!

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Antes de Estrasburgo cheirar a Natal

Estrasburgo já deve estar completamente tomada pelo espírito natalício. A ramagem do enorme abeto, que é a imagem de marca do mercado de Natal (Christkindelsmärik - desde 1570), estava a ser tratada há algumas semanas. Muitos dos efeites de barro que secavam em grandes tabuleiros, por estas horas já foram pintados, vendidos e pendurados. A cidade deve estar tomada pelo frio e pelo cheiro a vinho quente, queijo e chocolate. 
Lá viveram personagens tão célebres como Gutenberg, Erasmo, Goethe ou Calvino. É curioso pensar que naquela cidade alsaciana, tão poética e acolhedora, quase infantil, são tomadas muitas das principais decisões para a vida dos europeus.
Estrasburgo conhece-se facilmente a pé, mesmo com uma criança pela mão!

Carrocel da Place Gutenberg

Zona envolvente da Catedral

Formas de Kougelhopf (bolo tradicional da Alsácia)

Zona envolvente da Catedral

Orangerie

Parlamento Europeu

Petite France

Pontes cobertas


sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Por fim regressámos

Quero guardar a imagem de Taormina como um dos sítios mais bonitos onde já estive. A cidade que não se via ao longe, que parecia quase inacessível, é espantosa e cosmopolita, como há poucas na ilha. As casas pintadas em vários tons de ocre, laranja e rosa estavam quase todas floridas. Ao longe, sempre vigilante, avistava-se o vulcão, e perto, bem perto, o mar de um azul tão intenso, como eu nunca tinha visto.
Um passeio pelas ruelas e escadinhas levou-nos ao teleférico, que por sua vez nos levaria até ao mar.  Embora as praias da Isola Bella sejam de seixos, a recompensa que se tem ao chegar à água é inigualável. Quente e transparente como o cristal, peixes coloridos por todo o lado, ficaria ali de molho para sempre!
Ainda houve tempo para subir ao Etna, o único vulcão em actividade da Europa. A paisagem é negra e imponente, está em constante mutação.
 Parque Arqueológico Neapolis estava bem perto de nós, em Siracusa, por isso mesmo ficou para último. Na versão do pequeno turista que eu levava pela mão, os anfiteatros gregos e romanos serviam para fazer festas de Natal e de final de ano. Eram festas fantásticas, até tinham leões e elefantes! Não o corrigimos, a imaginação serve para isso mesmo.
Chegou finalmente o dia em que a tão desejada viagem de regresso foi marcada. Em menos de nada, os brinquedos de casa voltaram a ser desarrumados e a escola recomeçou.








quinta-feira, 18 de setembro de 2014

"Manicela" à solta na Sicília

Viajar com crianças é um desafio, mas o Simão faz parte da nossa bagagem desde que existe. Nunca lhe negaríamos a oportunidade de abrir os olhos para o mundo. Rapidamente chegámos à conclusão de que viajar com ele pode não ser complicado, afinal há crianças em todo lado!
Sempre foi muito fácil. Enquanto mamava as refeições dele estava permanentemente prontas e aquecidas. Quando deixou de o fazer, começámos a comprar boiões de sopa no supermercado e fruta fresca. Juntando água a ferver aos boiões, eles ficam com uma textura relativamente agradável. Come desde muito cedo fruta com casca e o que ele gosta de comer uns bagos de uva dentro do copo de lavar os dentes!
No entanto, esta última viagem trouxe-nos uma novidade com a qual não contávamos: varicela ("manicela", segundo o próprio). Ao terceiro dia de viagem acordou, olhou-se ao espelho e disse: "Oh não, hoje não estou lindo!"; as borbulhas não engavam. Uma visita ao médico confirmou. Estávamos em Siracusa, felizmente o lado oriental da ilha é definitivamente mais apelativo.
Ortígia é uma pequena ilha, mas curiosamente é o centro de Siracusa, a cidade mais próxima. Tem as lojas mais giras, os melhores sítios onde comer e é lá que mora o mercado da cidade. Lembro-me de um noite quente em que jantámos num restaurante, cuja sala de refeições era um terraço. Esse terraço era enorme repleto de laranjeiras. Era noite e fazia muito calor. Enquanto comíamos pizza e ouvíamos os pedidos num italiano corrido, quase incompreensível, choviam flores de jasmim dentro dos nossos pratos.
Por lá teríamos que continuar até nos deixarem regressar.







quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Sicília (parte I)

Vou contar um pouco da nossa recente viagem, mas terá que ser por partes!

A escolha da Sicília como destino de viagem foi mais ou menos consensual. Cá em casa há sempre um que puxa para a civilização e outro que puxa para a aventura (eu!).

Naquela zona de Itália atraíam-me as heranças históricas de tantas civilizações que por lá passaram, o dolce far niente muito mais notório do que em qualquer outra região italiana, a temperatura da água e a comida, por ser resultado de tantas confluências.

O calor intenso e seco que senti ao sair pela porta do avião, deixou-me incapaz de apreciar aquela terra cor de terra e de ver qualquer tipo de beleza na paisagem quase desértica.

Daquele dia guardo a imagem aterradora do único pôr-do-sol sobre o mar que vi na Sicília (assisti a todos os outros no outro lado da ilha), o sabor de uma gelado gigante habilmente acomodado num brioche igualmente grande e as memórias de uma pasta con le sarde, que não esquecerei tão cedo.

Em Palermo percorremos o mercado, enquanto os meus olhos saltitavam de banca em banca, dos legumes, para as frutas, dos peixes para as ervas... Aquilo era a verdadeira Sicília. Teria sido óptimo ter um local onde pudesse confeccionar todos os ingredientes que por ali encontrava, muitos deles completamente desconhecidos. Comprámos figos-da-índia e só depois percebemos que essa será por ventura a fruta mais vulgar por aquelas paragens.

A primeira ida à praia não deixou boas recordações. Debaixo de um sol abrasador, teria sabido bem que a água fosse fresca, mas não, estava quase tão quente como o ar. O areal era surpreendemente sujo e muito mais pequeno do que imaginara. Talvez as outras fossem diferentes, pensei eu!

Olhei para a gradiosidade do Vale dos Templos com a visão deturpada pela imagem de Agrigento. Por certo, quando os gregos ali estiveram, não existia uma cidade tão pouco atraente nas proximidades. Abstraindo-me disso, fico na dúvida se é o misticismo do vale que torna os templos tão fantásticos, ou se são estes que tornam o vale tão místico.

Não sairíamos da Sicília tão cedo, mas não sabíamos disso.